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Farmacêuticas crescem há 10 anos, superam dólar e querem ‘mais PIB’

Com crescimento nos últimos dez anos, o setor farmacêutico não sabe o que é crise na indústria e, apesar apesar da alta do dólar e seu impacto no preço da matéria-prima, não tem dúvidas que 2013 também vai fechar em alta. Ainda assim, as farmacêuticas esperam uma participação mais efetiva do governo nos gastos com a saúde, o que daria ainda mais fôlego ao setor.

O mercado de remédios projeta encerrar o ano com vendas no patamar de R$ 54,2 bilhões, uma alta de 9,2% em relação ao ano passado. O nível de emprego e a condição socioeconômica do brasileiro são as principais causas do bom desempenho, citadas tanto pelo representante das indústrias quanto pela maior delas no mercado interno.

Fábrica da EMS em Hortolândia (SP) (Foto: Divulgação/EMS)EMS, com fábrica em Hortolândia (SP), dobra de
tamanho a cada 3 anos(Foto: Divulgação/EMS)

“A EMS dobra de tamanho a cada três anos”, afirma Mário Nogueira, vice-presidente institucional corporativo da EMS, empresa com fábrica em Hortolândia (SP). A gigante, presente hoje em 40 países, faturou R$ 5,9 bilhões em 2012, crescimento de 27,3%.

“O medicamento é muito sensível ao acesso da população a isso”, diz o economista Celio Hiratuka, professor-doutor da Faculdade de Economia da Unicamp. Ele lembra que é diferente o “desejo de consumo” por um determinado produto, como um novo computador, e a necessidade de comprar remédio. Mas ele lembra que há outros fatores que determinam o crescimento das farmacêuticas, como o investimento em novas tecnologias e estratégia comercial.

Dados da Abrafarma (Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias) apontam que as vendas de medicamentos nas redes de drogarias e farmácias subiram 16,8% no primeiro semestre deste ano, em comparação com o mesmo período do ano passado, alcançando R$ 4,3 bilhões.

Os remédios e o PIB
Os números em crescimento contrastam, porém, com outros que a indústria espera reverter. Uma das reivindicações e esperança do setor é que o governo aumente a participação nos gastos em saúde, hoje na proporção de 4,2% em relação ao PIB (Produto Interno Bruto), de um total de 9%.

“Se a pessoa está empregada e sente uma dor de cabeça, ela vai à farmácia e compra um remédio. Mas se está sem emprego, entra no quarto escuro e espera a dor passar”, afirma o presidente-executivo da entidade que representa a indústria farmacêutica, Nelson Mussolini.

Os medicamentos contra doenças crônicas, como diabetes e hipertensão, são os carros-chefes da indústria, seguidos pelos remédios para a terceira idade e para tratar o câncer. São patologias comuns de outros países, onde o segmento industrial busca garantir a escalada de crescimento.

Alta do dólar
O mercado externo está na pauta da indústria farmacêutica não apenas pelas exportações, mas pela matéria-prima que vem de fora, na ordem de 90% do total. Com o dólar nas alturas, o impacto ainda não foi sentido. Segundo o Sindusfarma, as indústrias se adaptaram e em muitos casos estão “reduzindo a rentabilidade dos acionistas”, já que o nível de emprego é mantido, assim como o preço dos remédios ao consumidor final, controlado pelo governo.

A posição da indústria farmacêutica brasileira no cenário internacional vai ganhar ainda mais destaque nos próximos anos, segundo projeção da IMS Health, entidade que mede o desempenho do setor. Em oito anos, o Brasil passou da 10ª para a 6ª posição no mercado farmacêutico mundial, entre 2003 e 2011. Para 2016, ano em que sediará as Olimpíadas, a previsão é que o país ocupará a 4ª colocação, atrás apenas de Estados Unidos, China e Japão.