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Como a disseminação de uma cultura pode fomentar o desejo coletivo, propiciar satisfações e gerar crença dos colaboradores em uma organização por Diego Siqueira

Tendemos a ser mais seguros naquilo que se mostra evidente aos nossos olhos. Em ambientes onde o que reina é a incerteza, ficamos desconfortáveis e desconfiados, não externalizando todo o nosso potencial. Tendo em mente isso, podemos afirmar que a identidade de uma empresa, quando íntegra, bem estabelecida e disseminada entre os colaboradores, proporciona um espaço de confiança, acolhimento e transparência, estabelecendo pilares para a construção do bom ambiente de trabalho. Isso leva ao maior comprometimento das pessoas, que de maneira conjunta, buscam o desenvolvimento pessoal, da equipe e da empresa.

A fim de compreender o mecanismo que leva o indivíduo a aderir-se melhor em ambientes onde há uma cultura bem estabelecida, julgo eu ser necessário atentarmo-nos as duas principais características que predominantemente impulsionam e tornam possíveis, as ações de todo indivíduo: a incontrolável manifestação de seus desejos e sua necessidade em crer em algo. Explorar esses dois fatores – o desejo e a crença – proporciona adentrar no caminho da compreensão do que é o outro, e porque não dizer, de nós mesmos.

Vamos entender como desejo, aquilo que impulsiona uma busca (a princípio subjetiva) pela satisfação. Se manifestamos desejos é por carecemos de uma satisfação que ainda não temos, eis então o papel da crença que movida por essa carência inerentemente humana, materializa em um ser ou em algo, a sustentação para a manifestação de seus desejos. Trazendo para o prático, a empresa que traça seus ideais, constrói uma identidade e implanta uma cultura, proporciona ao colaborador estabelecer esse vínculo de crença, ou como dizem corriqueiramente, ele passa a “vestir a camisa da empresa”. O sujeito quando se identifica com esses ideais, consegue colocar em curso seus desejos e por consequência vivencia a sua satisfação.

Seguindo o raciocínio apresentado até agora, conseguimos sintetizar qual é a importância de ter uma cultura bem consolidada e disseminada na organização em: proporcionar um ideal que seja passível de crença por seus colaboradores, para que dessa forma apliquem seus desejos e consigam enfim atingir sua satisfação. Até o momento, observamos o raciocínio apenas sob uma ótica individualista, a do colaborador. Essa visão individualista apenas nos garante a fidelidade do colaborador para com a organização, visto que naturalmente em um ambiente de trabalho onde é permitido conquistar aquilo que se deseja, é bastante convidativo querer ali estar. Mas nesse caso, a organização deve apenas caminhar com base naquilo que o seu colaborador deseja? Uma organização apresenta inúmeros colaboradores, e por consequência gerará múltiplos desejos, possivelmente divergentes entre si, sendo assim: isso não resultaria na perda da identidade da empresa, tornando o ambiente de trabalho um “Frankenstein de desejos individuais”, aberração essa que tornaria o ambiente uma anarquia?

Por esse motivo apresento a outra face desse raciocínio, que julgo ser a mais importante de ser desenvolvida na organização: o desejo coletivo. De início defini que o desejo é aquilo que impulsiona uma busca a princípio subjetiva pela satisfação. Deixemos de lado nesse instante o subjetivismo para darmos espaço ao coletivismo.

A sociedade é construída através de um trabalho conjunto. Vamos definir o trabalho como o meio utilizado para alcançar o desejo. A história nos mostra que quando aplicamos nossos desejos individuais em um meio onde há outras pessoas que dele compartilham, ganhamos mais força, por naturalmente termos mais pessoas trabalhando em prol de um mesmo objetivo. Se o trabalho é o motor que propulsiona o alcance do desejo, aumentando sua potência, teremos maior êxito em conclui-lo, alcançando de maneira mais eficiente a satisfação. Observe que quando colocamos o desejo individual em meio ao desejo coletivo, o primeiro se dissolve, torna-se algo maior. Até o momento, o caminho que percorremos, a sociedade que criamos, os progressos que tivemos, foi com base nesse mecanismo: a aplicação do desejo individual em meio ao desejo coletivo.

Para ilustrar, tomemos como exemplo a ciência. Seu progresso é um trabalho incessante de diversas mentes em uma única causa, ou um único desejo: a de chegar através da experimentação (trabalho) ao conhecimento (desejo). Quando um estudo é publicado conta com o nome de todos os atores desse feito. Se formos mais a fundo, veremos que a bibliografia, item obrigatório em todo artigo, nos mostra que o presente trabalho só foi possível, devido no passado, pessoas com o mesmo desejo pelo conhecimento terem trabalhado em conjunto. Mais do que compreender a importância do trabalho coletivo, é observar que esse foi o método que utilizamos para construir nossa história, nossas conquistas. Aplicamos nossos desejos em conjunto desde o início, criando com isso um coletivismo histórico que proporcionou descobrir a cura de doenças, desenvolver conceitos como a democracia, chegar a lua. Reverenciar esse coletivismo histórico é compreender que o progresso é feito em conjunto.

Em suma, a satisfação do desejo individual serve apenas para a manutenção da relação entre o colaborador e a organização, trazendo ao primeiro a constante reafirmação de que o ideal, a cultura e identidade da organização, é aquela que ele quer de fato seguir e estar. Mas o que realmente proporciona maiores conquistas é a satisfação coletiva, pois ela alimenta não só o desejo de um colaborador em específico, mas de toda uma estrutura, de todo um time. Essa via proporciona um cenário todos ganham: o colaborador e a organização.

O desenvolvimento de uma identidade torna possível a criação de um ideal. A disseminação desse ideal gera cultura, que como um sopro, infla com vida a organização, traz ela à luz. Eis que então a organização deixa de ser inanimada, ela passa a ser um agente vivo. Com a cultura consolidada, é possível para a organização compreender o motivo pelo qual ela existe; e ao colaborador abrigado dessa cultura, o motivo pelo qual ele trabalha.

 

Dissemine a cultura dentro de sua organização e dê espaço aos desejos de sua equipe!

Torne sua organização um agente vivo!

 

Diego Siqueira dos Santos

21 de agosto de 2018